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terça-feira, 23 de março de 2010

Recebi por e-mail

"Olá minha querida, tudo bem?
Pode ficar tranqüila que o "flagrante" que lhe dei hoje ficará entre nós.

Não querendo ser chato, ou dar uma de pai, ou de "chefe" para cima de você... Gostaria de fazer algumas considerações.
Hoje quando a vi hoje, não percebi aquele "brilho" que lhe é peculiar. Aquela alegria. O que está havendo? Por que buscas nesse amuleto chamado cigarro?

Outro dia encontrei com sua mãe e, para variar, falamos de você. Perguntei a ela se você já tinha concluído a faculdade ela me disse que ainda não. Disse a ela que seu problema é que você é muito inteligente e precisa de algo novo para motivá-la. Você tem dificuldade para se adaptar ao que é convencional. Estou errado? Disse que você deveria terminar sua faculdade para depois buscar outra identificação profissional. Mas com esse diploma você poderia mudar de cargo na empresa ou fora dela. Até citei a Natalinha como comparação.

Fernandinha, sei que você e Natália são completamente diferentes, talvez por isso a identificação. O que vc tem que pegar dela é a determinação de seguir um caminho. Repito, vc é muito inteligente, bonita, saudável, humorada, bla, bla, bla,...... Não permita que as dificuldades que surjam (seja em qualquer área de nossa vida) nos escravize ou nos imobilize impedindo nossa evolução.

Faça renascer ou deixe fluir essa sua garra nata. Não se deixe perder pela desmotivação ou desanimo ou pelo próprio excesso de motivação/inteligência que te afasta do que é convencional/rotineiro.

Não deixe apagarem essa luz maravilhosa que DEUS lhe deu. Acredito em você.
Beijos.
"


Desde então, as lágrimas não param de brotar.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Encontros e Despedidas

Despedidas. Definitivamente, não gosto.
Chegamos aqui a cerca de 1939 dias. Desde o primeiro foi assim, juntas. Eu 1, ela 2. Não pudemos escolher mas, se pudéssemos, escolheríamos o mesmo lugar: Aqui. E, sem escolher, aqui caímos. Eu, a primeira, ela, a segunda. Por anos foi assim.

Fomos escolhidas por quem deveríamos ser. Caímos em áreas diferentes. Ela passou a ser antecessora a mim.
Aqui no blog ela fez história. Conversas ilusionistas sobre a formação da vida e do caráter. Da atitude machista, por ela, da feminista, por mim.
Pensamos diferente. Sim, pensamos. Mas sempre soubessemos retalhar o bom do ruim, o certo do errado. De certa forma, nos completávamos. Pessoal e profissionalmente. Ela me puxava as orelhas por não dar valor a faculdade. Eu lhe puxava as orelhar por não dar valor a si.
Nossa inteligência nos ligava. Era lógico que nos admirávamos pela lógica. Ela sempre foi inteligente do tipo nerd. Eu, do tipo largado. Nossa diferença tá aí: eu, descuidada, ela, sistemática.
Sistemática no exagero, confesso. Do tipo que praticava visivelmente a auto-punição. Enquanto eu era a draga, ela era, na minha cabeça, a anoréxica. Eu controlava sem parecer controlar. Instigava seu gosto pela comida, saudável ou não. Outback, Joe & Leo's, churrascaria e cafés da manhã.

Conhecemos a história uma da outra. As famílias se conheciam e tinham respeito e fascinação pela amizade.
Contei meu maior segredo. Na época era meu maior segredo. Ela entendeu, aceitou e respeitou, como deveria ser. Fazíamos piadas de nossas desgraças. Tudo o que reforço com a Chris sobre nosso salário, eu já havia discutido com ela alguma vez. Não é um salário justo. Não dá pra viver com esse salário.
Eu chorei algumas vezes, ela consolou. Ela chorou outras vezes, eu chorei junto. E assim foram esses 5 anos de convivência.

De um tempo pra cá, nossas rotinas mudaram. O sagrado horário de almoço dela, as 11h, virou meu sagrado horário de academia. E assim, começamos a nos perder. Não sei exatamente quando, mas lamento. Sinto saudade do tempo de conversas no lago e picolés depois do almoço.
Nossas companhia de almoço mudaram. Nos desentendemos algumas vezes depois, por causa do trabalho.
De sua vida pessoal pouco sei. Da minha, não sei o que sabe. Descobri anteontem que ela não tinha meus telefones novos. O dela, que nunca mudou, ainda sei de cór. Mas eu mudo de telefone como mudo de humor. E minha memória é excepcionalmente boa com números. A dela, com teoremas.

Hoje é seu almoço de despedida e meu estômago já está embrulhado. Ela vai comigo, quer conhecer o Lobo Mau. Tantos planos fizemos pensando nele. Tanto escolhemos e pesquisamos sobre os sonhos. Agora, o meu sonho é realidade e sei que ela se realiza da mesma forma: crescendo comigo. Meus olhos, com bolsões d'água, têm de secar em menos de 30 min. Ela cresceu e ficou maior que isso. Meu mundo ficou pequeno pra ela, e chegou a hora de ela sair para explorar. Eu, nada posso fazer a não ser lhe desejar boa sorte, demonstrar meu orgulho e admiração.

E, se a 5 anos atrás, Uma era Outra e Outra era uma. Já me sinto vazia sem minha outra metade. Minha metade amiga. Minha metade Natalia.
Obrigada, e boa sorte! =)
h'[m]